>RESPONSABILIDADE SOCIAL


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RESPONSABILIDADE SOCIAL

Segundo o IAPMEI, «a responsabilidade social das empresas é a integração voluntária de preocupações sociais e ambientais nas suas operações e na sua interacção com todas as partes interessadas. Assim, as empresas contribuem para a satisfação das necessidades dos seus clientes, gerindo simultaneamente as expectativas dos trabalhadores, dos fornecedores e da comunidade local. Trata-se de contribuir, de forma positiva, para a sociedade e de gerir os impactos ambientais da empresa, o que poderá proporcionar vantagens directas para o negócio e assegurar a competitividade a longo prazo»

Para «A Responsabilidade Social nas Pequenas e Médias Empresas Portuguesas, O papel do empresário e o desempenho das empresas – Um estudo exploratório» de Fátima Jorge e Fernando Miguel Seabra, Em Portugal a Responsabilidade Social das Organizações tem vindo progressivamente a ocupar um lugar destacado entre as questões organizacionais, sendo tema de debate tanto a nível académico como em fóruns destinados a públicos empresariais.

Tendo em consideração que em Portugal o tecido empresarial é maioritariamente constituído por Pequenas e Médias Empresas, torna-se extremamente relevante compreender a forma como as empresas e responsáveis empresariais entendem e assumem o seu compromisso para com todos os interessados nas suas actividades.

As Pequenas e Médias Empresas (PME’s) Portuguesas assumem um peso fundamental ao nível do tecido económico português. Quer ao nível do emprego criado, quer ao nível da riqueza gerada, a economia portuguesa apresenta-se fortemente condicionada pela performance das suas PME’s

A temática da Responsabilidade Social das Organizações (RSO) tem estado fortemente centralizada ao nível das grandes empresas. Efectivamente, é a grande empresa que detém recursos financeiros e muitas vezes motivos comerciais suficientemente fortes para no âmbito da defesa da sua imagem pública conduzir esforços rumo à integração mais ou menos voluntária da Responsabilidade Social e seus conceitos.

As Pequenas e Médias Empresas, muitas vezes integradas em cadeias de valor na qual não dominam a gestão, são frequentemente relegadas para um plano de competição pelo baixo custo, em que a protecção da marca ou a visibilidade pública não constituem preocupações prioritárias. O modelo de desenvolvimento empresarial da economia portuguesa foi fortemente marcado pela integração em cadeias de criação de valor geridas por terceiros, em que a pressão sobre os custos conduziu à degradação das condições de trabalho e à prática de salários pouco acima do limite de sobrevivência. Este cenário de desenvolvimento coexiste no entanto com exemplos de algumas pequenas e médias empresas caracterizadas por actualização tecnológica e por formas de gestão modernas e eficientes que pela sua sustentabilidade poderão fazer face ao fenómeno da globalização das economias.

Confrontadas com um contexto de forte competição internacional, as partes interessadas no desenvolvimento empresarial da economia portuguesa esperam das empresas, e muito em especial das PME`s, respostas para as suas necessidades. A expectativa reside em desempenhos económicos, ambientais e sociais, que possam traduzir uma situação empresarial suficientemente sólida por forma a ser geradora de valor para todas as partes interessadas, sem contrapartidas na destruição de valor ambiental ou social.

Tendo em consideração a importância das PME’s na economia portuguesa, a presente comunicação resulta da tentativa de investigar a forma como estas empresas integram a problemática da Responsabilidade Social das Organizações (RSO) ao nível das suas operações e do seu quotidiano. A integração em causa é fortemente influenciada pelo perfil ético dos empresários das pequenas e médias empresas tendo em consideração a tradicional concentração de poderes que os mesmos assumem.

Uma investigação específica sobre Responsabilidade Social no âmbito de PME´s é importante por três

motivos (Lepoutre e Heene, 2006). A primeira razão prende-se com o facto das PME´s constituírem 99% dos negócios da União Europeia (UE) e serem responsáveis por 66% do total do emprego e de metade do valor acrescentado produzido na UE (Observatory of European SME´s, 2003). O impacto

das PME´s na sociedade está subestimado. O segundo argumento é que o processo de implementação da Responsabilidade Social nas grandes empresas não se pode reproduzir, exactamente, da mesma forma nas empresas de pequena e média dimensão. O terceiro motivo é que as grandes empresas estão

a tornar-se, cada vez mais, “empreendedoras” considerando-se, por isso, que a investigação sobre a Responsabilidade Social em PME´s pode trazer novas perspectivas para a abordagem do tema em contextos de grandes empresas (Quinn, 1997).

Uma definição de Responsabilidade Social das PME´s é apresentada por (Lepoutre e Heene, 2006), baseada na publicação da Comissão Europeia “Responsible Entrepreneurship” de 2003, em que se

define “empreeendedor responsável” como aquele que

1) trata os clientes, os fornecedores e os concorrentes com justiça e honestidade;

2) se preocupa com a saúde, segurança e o bem-estar dos trabalhadores e dos clientes;

3) motiva os seus trabalhadores através da formação e do desenvolvimento de competências;

4) actua como um “bom cidadão” na comunidade local;

5) respeita e preserva os recursos naturais e o ambiente. Quinn (1997) argumentou que a abordagem ética em contexto de PME´s será cada vez mais relevante por duas razões:

1. Os negócios de pequena e média dimensão representam uma significativa

proporção dos negócios criados;

2. As grandes empresas estão a tornar-se cada vez mais empreendedoras na verdadeira essência do termo. Green (1992) cit. por Solymossy e Masters (2002) enfatiza que a forma como é vivida a ética no âmbito do empreendedorismo é substancialmente diferente do que ocorre nas grandes empresas. O

autor argumenta que as grandes empresas com a ênfase na especialização do trabalho, na centralização, na padronização dos processos, na elevada formalização e conformidade com a autoridade, oferecem poucas oportunidades para assumir as consequências das suas decisões. As PME´s, por contraste, exigem interacção contínua com os outros parceiros, as relações com e entre os

grupos baseiam-se na confiança mútua, na interdependência, existindo dispersão de controlo e responsabilidade, utilizando-se na resolução de conflitos processos de assertividade. Vários autores (como por exemplo, Teal e Carrol, 1999; Longenecker et al., 1989; Vyakarnam et al., 1997) apresentaram evidências de que os empreendedores e os proprietários de pequenos negócios diferem

de outros indivíduos na forma como encaram as questões morais, nos seus julgamentos morais e comportamentos, bem como nos níveis de desenvolvimento cognitivo moral.

No que concerne às características dos empresários Jones (1991) propôs um modelo que explica o comportamento moral tendo por base dimensões de intensidade moral. Segundo o autor, o indivíduo com uma elevada intensidade moral é uma pessoa que:

1) reconhece os aspectos morais;

2) utiliza o raciocínio moral sofisticado;

3) desenvolve a intenção de se comportar moralmente;

4) comporta-se eticamente.

Alguns estudos empíricos demonstram que, quer as empresas de grande dimensão quer as de pequena dimensão comportam-se de forma muito similar no que se refere à importância que atribuem aos aspectos de ética normativa, bem como aos princípios sociais e ambientais. Porém, as pequenas e as

grandes empresas diferem no que respeita à forma como os princípios abstractos da ética são aplicados em situações concretas (Hornsby et al. 1994; Humphreys et al., 1993; Lahdesmaki, 2005; Longeneckeret al., 1989).

Segundo Mário Marques e Cláudia Teixeira, em «A Responsabilidade Social das Empresas e o Desempenho Organizacional», publicado na Revista de Estudos Politécnicos, O desempenho social das empresas tem sido, nas últimas décadas, uma das dimensões da actuação das empresas a que os gestores cada vez mais prestam atenção.

É comummente aceite que as empresas devem assumir comportamentos socialmente responsáveis, não podendo, no entanto, ignorar que o seu fim último – que legitima e sustenta a sua existência – é a criação de riqueza para os

investidores. Contudo, cada vez menos se aceita que essa riqueza favoreça apenas os interesses de alguns, devendo a mesma contribuir para o interesse colectivo (AECA, 2004).

É neste contexto que surge a noção de empresa socialmente responsável.

Para muitos autores é consensual que a incorporação de boas práticas de

responsabilidade social nas organizações cria oportunidades e previne riscos, tendo um impacto positivo num vasto número de indicadores que avaliam o sucesso organizacional. Mas será de facto assim? Existirá evidência que permita perceber de forma concludente que a responsabilidade social das empresas melhora o desempenho das empresas?

Enquadramento Histórico da Responsabilidade Social

As preocupações de natureza social são uma realidade há já algumas décadas.

Podemos verificar que na década de 50, nos Estados Unidos, a responsabilidade

social das empresas (RSE) era um tema debatido quer a nível académico, quer a

nível empresarial. Veja-se, por exemplo, a obra de Howard Bowen intitulada, Social Responsabilities of the Businessman, publicada em 1953, que constitui uma referência nesta matéria (Monteiro, 2005). Posteriormente, no início da década de 60, os acontecimentos relacionados com a guerra do Vietname, entre outros factores, levaram ao aparecimento naquele país de movimentos populares que se manifestavam relativamente a questões éticas e também de RSE, ainda que com um carácter incipiente (Pées, 2006). Esses manifestos expressavam-se, nomeadamente, através de boicotes à produção de bens e serviços de entidades envolvidas naquele conflito. Também a nível mundial verificaram-se fenómenos sociais, tais como a luta pela igualdade de direitos entre homens e mulheres, entre raças, assim como a contestação e luta por novos valores e atitudes (v.g. Maio de 1968 em França), que vieram gerar novas práticas no relacionamento das empresas com a sociedade e meio ambiente. É neste contexto que se passou a divulgar informação acerca das práticas das empresas no domínio ambiental e social. Assim, no início da década de 70, esta matéria assume especial relevo aquando da elaboração e publicação dos relatórios sobre actividades de índole social. Surge em França, em 1972, um dos modelos e práticas associadas àquelas actividades, o Balanço Social e, em 1977, aquele país foi o primeiro a estabelecer a sua obrigatoriedade para empresas com mais de 750 trabalhadores (Monteiro, 2005).

A crescente globalização das economias através da acção das grandes

multinacionais, condicionada pelas preferências e “valores” do mercado, veio

acelerar todo o processo associado à definição do conceito de RSE. Desde então,

têm-se realizado diversos estudos e investigação acerca dos efeitos das políticas de responsabilidade social praticadas pelas empresas, todavia, por falta de resultados

consistentes e conclusivos, prosseguem as investigações a nível académico sobre

esta temática dada a sua complexidade (Moreno, 2004).

As preocupações de natureza social e ambiental são uma realidade há já algumas

décadas. A crescente globalização das economias, acompanhada pelas preferências e valores do mercado, veio acelerar todo o processo associado à definição do conceito de RSE. O surgimento de orientações sobre as políticas de

responsabilidade social, bem como o interesse e intervenção de organismos

regionais e internacionais revelam também a crescente consciencialização das

questões sociais no âmbito dos negócios.

A relação entre a responsabilidade social e o desempenho organizacional das

empresas, em particular o económico-financeiro, tem sido objecto de muita

investigação, todavia, sem a obtenção de resultados consistentes e conclusivos. Na realidade, os resultados a que chegaram os vários investigadores são contraditórios quando comparados entre si, na medida em que alguns concluem que a relação entre o desempenho social e o desempenho económico-financeiro é positiva, outros que é negativa, outros ainda que a mesma é inexistente ou neutra. Estas conclusões têm dificultado o estabelecimento de um quadro teórico sobre esta temática.

A relação positiva é na maioria dos estudos explicada pela teoria dos

stackeholders. A hipótese do impacto social é apontada como justificadora da

existência da relação causal positiva no sentido de que “um melhor desempenho

social promove um melhor desempenho económico-financeiro”. Se a relação de

causalidade se manifestar de forma inversa, a hipótese da disponibilidade de

recursos pode explicar esta direcção. Por fim, as hipóteses de troca e do

oportunismo da gestão são sugeridas pela literatura como justificadoras da relação negativa.

Para o Portal ResponsabilidadeSocial.com, a ideia de responsabilidade social incorporada aos negócios é, portanto, relativamente recente. Com o surgimento de novas demandas e maior pressão por transparência nos negócios, empresas se vêem forçadas a adoptar uma postura mais responsável em suas acções.

Infelizmente, muitos ainda confundem o conceito com filantropia, mas as razões por trás desse paradigma não interessam somente ao bem estar social, mas também envolvem melhor performance nos negócios e, consequentemente, maior lucros. A busca da responsabilidade social corporativa tem, grosso modo, as seguintes características:

  • É plural. Empresas não devem satisfações apenas aos seus accionistas. Muito pelo contrário. O mercado deve agora prestar contas aos funcionários, aos Media, ao governo, ao sector não-governamental e ambiental e, por fim, às comunidades com que opera. Empresas só têm a ganhar na inclusão de novos parceiros sociais em seus processos decisórios. Um diálogo mais participativo não apenas representa uma mudança de comportamento da empresa, mas também significa maior legitimidade social.

  • É distributiva. A responsabilidade social nos negócios é um conceito que se aplica a toda a cadeia produtiva. Não somente o produto final deve ser avaliado por factores ambientais ou sociais, mas o conceito é de interesse comum e, portanto, deve ser difundido ao longo de todo e qualquer processo produtivo. Assim como consumidores, empresas também são responsáveis por seus fornecedores e devem fazer valer seus códigos de ética aos produtos e serviços usados ao longo de seus processos produtivos.

  • É sustentável. Responsabilidade social anda de mãos dadas com o conceito de desenvolvimento sustentável. Uma atitude responsável em relação ao ambiente e à sociedade, não só garante a não escassez de recursos, mas também amplia o conceito a uma escala mais ampla. O desenvolvimento sustentável não só se refere ao ambiente, mas por via do fortalecimento de parcerias duráveis, promove a imagem da empresa como um todo e por fim leva ao crescimento orientado. Uma postura sustentável é por natureza preventiva e possibilita a prevenção de riscos futuros, como impactos ambientais ou processos judiciais.

  • É transparente. A globalização traz consigo demandas por transparência. Não mais nos bastam os livros de contabilidade. Empresas são gradualmente obrigadas a divulgar sua performance social e ambiental, os impactos de suas actividades e as medidas tomadas para prevenção ou compensação de acidentes. Nesse sentido, empresas serão obrigadas a publicar relatórios anuais, onde sua performance é aferida nas mais diferentes modalidades possíveis. Muitas empresas já o fazem em carácter voluntário, mas muitos prevêem que relatórios sócio-ambientais serão compulsórios num futuro próximo.

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