>Erotismo na Internet


>

Erotismo na Internet

A diferença entre o Erotismo e o Pornográfico é, por vezes, uma fina e ténue linha de pensamento.

Uma ponte de Dogmas certificados que une duas margens de Critérios por um só Rio de sensações.

Mas não nos deixemos cair em tentações fáceis, ao pensar que o fim justifica os dois meios de interacção.

O Erotismo e o Pornográfico são os dois pratos de uma balança pouco ou nada fiel.

São também irmãos gémeos com gostos e fantasias diferenciadas. O Erotismo é a versão mais «soft» e o Pornográfico é o seu extremo direito mais radical, sado-masoquista, negro.

Os dois poderiam complementar-se, mas nunca se encontram. Nunca se tocam.

Imitam uma das mais recordadas e célebres pinturas de Miguel Ângelo na Capela Sistina que, tal como os famosos dedos, jamais se encontrarão. Mas não deixam de ter inúmeros pontos em comum.

E é um deles, a sua mais contemplada igualdade, que vamos tentar explorar e apresentar, amiúde: A Luxúria dos mortais.

O cibernauta é mortal, pensa, tem sensações. Logo, existe a possibilidade de ser um dos principais alvos de um dos dois representantes da luxúria.

Mas podemos igualmente dividir o Erotismo e a Pornografia em o Bem e o Mal. Se tudo se resumisse a uma película de «western spaghetti» será que o Erotismo era o bom da fita porque ficaria sempre com a heroína casta no fim e o Pornográfico o vilão, porque lhe restava somente como prémio de consolação o cavalo e o pôr do sol?

Não nos cabe a nós julgar, por não sermos os donos da verdade.

E porque nem tudo o que brilha é ouro, cada qual é senhor da sua humilde e válida opinião.

Mas o que realmente interessa são as multidões que ambos atraem. Os mercados que agitam. O dinheiro que geram. As indústrias que alimentam.

E como não poderia deixar de ser, é na Internet que se tiram as teimas e se fazem braços de ferro.

Que o mundo gira à volta do Sexo, já era do conhecimento geral.

Que não são só os poderes económicos e as forças gravitacionais que fazem a Terra rodar, também não é de todo desconhecido do senso comum. Mas o que nem todos poderão saber é que o pecado original já não é o que era, na net.

A máquina operacional de gestão e «marketing» que faz mover uma das rodas dentadas mais bem sucedidas da economia mundial da auto-estrada da Comunicação é a do Sexo.

E quer lhe chamemos Erotismo ou Porno, o resultado é sempre o mesmo: milhões de «pageviews», centenas de milhar de assinantes e muitos milhares de dólares por mês de lucro.

Mas existem algumas boas razões para preferirmos dissertar em específico sobre o Erotismo na Internet.

Por exemplo, o Erotismo é como um bom casamento ou uma boa amizade – demora algum tempo real a criar verdadeiros laços de fidelidade nos seus utentes; É como um bom vinho do Porto – melhora com a idade e com as visitas contínuas; Nem sempre o Erotismo na net tem uma cara bonita, mas cativa pelo seu elegante e inteligente interior ; Obriga-nos a pensar, a imaginar, a fantasiar ; Não nos mostra logo a porta onde está o verdadeiro tesouro, mas não nos deixa sair do caminho correcto ; Há todo um lado terapêutico, amoroso, culto, de arte, no Erotismo.

E todas essas vertentes podem ser encontradas na Internet, quando tentamos procurar o verdadeiro Erotismo.

Mas quem são os seus visitantes? O que pretendem? O que recebem em troca? Estes são apenas alguns dos pontos que vamos focar com mais algum pormenor.

A Sétima Arte habituou-nos, desde cedo, a separar o trigo do joio, em matéria de sexo. Rapidamente, e em poucos segundos, qualquer um de nós poderá distinguir um filme erótico de um filme de um outro escalão, mesmo que ambos tenham bola vermelha no canto superior direito. Instituiu-se que um filme erótico não pode mostrar as partes pudentas de ambos os sexos em pormenor e em detalhe. Instituiu-se também que um filme de um qualquer outro escalão superior não necessita de ter guião elaborado ou falas com mais do que uma linha para terem sucesso. E isto são factos inultrapassáveis. Aprendemos a viver com eles. Embora ambos os géneros vendam sonhos, fantasias e desejos, apenas um o faz de um modo politicamente correcto. Uns são apologistas que há linhas que nunca deveriam ser cruzadas. Outros estão convictos que o céu não é o limite. Sejamos concretos e realistas: Ambos poderão ter razão. Afinal, gostos não se discutem. O que apenas prova que para além de religião, futebol e cores partidárias, agora há mais um assunto que não convém abordar com os demais convivas, sob pena de se perderem amizades de decénios.

Mas o importante é tentar perceber o que motiva os visitantes de sites eróticos. Serão eles, os que os visitam, tão diferentes dos demais? Claro que não! São iguais a nós e a tantos outros que não julgam os livros pelas capas nem os sites pelo nome e aventuram-se à procura de algo diferente para romper com a rotina.

O Erotismo comporta todos os credos, idades e cores de pele. Os seus visitantes não se deixam catalogar muito facilmente. Apenas também gostam de beleza exterior. De se sentirem diferentes. De poderem imaginar cenários for a do seu habitat. De poderem fantasiar inúmeras luas de mel com a Miss ou o Mister Abril do corrente ano, consoante os gostos e paladares de cada um.

Pensamos que são os inconformistas que mais visitam os sites eróticos. Aqueles que concordam que exista o Pornográfico apenas e somente para poderem ter a opção de escolha. Aqueles que gostam da luta. Da caça pelo prazer de caçar. Daqueles que nunca tiveram nada de mão beijada e que odeiam o adágio «A cavalo dado não se olha o dente». Daqueles que ainda gostam de serem eles a controlar os seus próprios sonhos, emoções, fantasias, vontade. E o Erotismo poderá trazer algo para todos eles.

Os visitantes de sites eróticos poderão ser maioritariamente homens, mas são as mulheres que estão à frente de alguns dos mais arrojados projectos de Erotismo e Porno na Internet, principalmente nos Estados Unidos.

Quem visita, independentemente do gosto ou inclinação sexual, procura algo que não tem. Procura diferença. Perfeição. Procura ainda poesia nas palavras, música nos corpos. Rapidamente encontrará mulheres ou homens quase perfeitos, com trajectos de vida que suscitam cobiça e que se desnudam a rigor, a compasso, a cada clique do rato. Ao ritmo da nossa emoção, sonho, carteira.

Obviamente, no Erotismo os sonhos também se pagam.

Mas quem é que pode valorizar uma emoção forte? Ou uma fantasia erótica?

Pelos vistos, os gestores dos sites de Erotismo podem. E fazem-no com milimétrico profissionalismo.

Nada é deixado ao acaso.

Quer a Playboy, em www.playboy.com, ícone mundial de Erotismo de extremo bom gosto, quer a sua mais virtual rival Penthouse, em www.penthouse.com , são exímias em atrair as visitas através da imagem de mulheres quase irreais de tão bonitas.

Cobram entre 16 a 26 dólares por mês por uma assinatura que lhe dará as chaves de platina para um mundo visual e auditivo muito difícil de ser igualado na vida real.

As «free tours», a conjugação de cores, as três colunas, as fotos imaculadas e os «pop ups» encarregam-se de manter o visitante ocupado e agarrado ao monitor e ao rato.

Enquanto se navega nas poucas páginas que são permitidas ver sem pagar, somos constatemente bombardeados com alusões à aquisição de «lingerie», edições quase gratuitas de assinaturas das suas respectivas revistas no mundo de «brick and mortar» e a ver os vídeos das melhores meninas do momento.

E as opções também são das mais variadas.

Podemos pagar só por dois dias, uma semana, um mês, quatro meses ou um ano. Teremos direito a ver todas as fotos «exclusivas», os vídeos «sensacionais» e o que as respectivas webcams indiscretas conseguirem captar.

Mas os sites com uma componente erótica também poderão ser extraordinariamente subtis. Um dos melhores exemplos é o do brasileiro Morango, em www.morango.com.br . Não mostra nada de especial, mas deixa a aura de sensualidade no ar. Fresco e juvenil, deixa transparecer apenas o necessário a manter os visitantes desesperadamente agarrados e a quererem voltar para ter mais da mesma dose.

Já em Portugal, o caso é diferente.

Muito embora o mercado do Erotismo na Internet em português de Portugal ainda esteja de fraldas e a dar os primeiros passos, avizinham-se dias de bonança. O profissionalismo deverá ser alcançado ainda este ano, a acreditar nos diversos projectos nessa área que ainda vão ser lançados até ao fim de Dezembro de 2001.

Neste momento, o nosso país, em termos de Erotismo na internet, ainda está maioritariamente inclinado para os sites de «escort service» – de luxo ou nem tanto; para as linhas eróticas via web; casas de massagens que oferecem serviços vários e classificados do prazer que prometem entregar a sua cara-metade, com todos os requisitos pedidos, ainda este milénio.

É também no campo Erótico que as páginas pessoais ganham o seu relevo.

Virtualmente todos os ISP’s que oferecem espaço no seu servidor, tem no seu seio inúmeras páginas de Erotismo. Quer seja o humor, amor, paixão ou simplesmente tempo para gastar o seu hobby, há de tudo para todos na net lusa.

Existem poemas da Florbela Espanca com conotações eróticas na internet.

Existem, igualmente, alguns excertos das quadras mais protuberantes dos Lusíadas de Luis Vaz de Camões.

Encontra-se também algumas pseudo clínicas que oferecem o orgasmo múltiplo e o sexo tântrico a quem quiser aprender as suas sábias palavras, escritas em html.

Tudo isto, claro está, em nome da afirmação, da diferença, do Erotismo.

As mulheres são quem mais compra e consome na net nacional, já é um facto.

Mas os homens são os que mais navegam, visitam, abrem portas virtuais e correm cortinas subliminares.

Talvez porque o homem seja o eterno insatisfeito. Inconsolado. Ingrato.

Procura o que não tem. Só quer estar aonde não está. Cobiça o fruto proibido como se de esse momento dependesse toda a sua vida emocional.

O Erotismo na Internet poderá bem ser a última cabala, o derradeiro nada santo «graal» do novo século de todas as emoções.

Num mundo onde a cibernética avança a passos firmes, por vezes o retornar às raízes é bom. É agradável.

Olhar a beleza pelo que ela é, simplesmente, pode ser um dos objectivos dos que visitam sites eróticos e uma das razões do seu sucesso.

O Erotismo enquanto máquina de fazer sonhos poderá nunca parar, mas terá que ter cuidado com as manutenções periódicas e as mudanças de óleo – de amêndoas doces.

Ao contrário do Porno, é obrigado a renovar-se com inegável rapidez, para manter a clientela feliz e nos braços de Morpheus.

«Sex sells, but who’s buying?» é uma das questões que já tem resposta, na net.

Coloque a palavra «sexo» ou mesmo «erotismo» num motor de busca e veja por si a razão de ser tanto celeuma à volta do mercado erótico.

Não é à toa que são das palavras mais requisitadas de sempre.

E como a procura faz mexer a oferta, o resultado era previsível.

Feitas bem as contas, ainda há quem tenha a ironia de dizer que compra a «Playboy Magazine» só pelos seus belíssimos e bem torneados artigos de opinião………

Luís Manuel C. Sobral

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: