>A Ira das Siglas nas Novas Tecnologias


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A Ira das Siglas nas Novas Tecnologias

As Novas Tecnologias criaram um monstro. Qual Frankstein, essas mesmas tecnologias fizeram nascer, in vitro, um novo ser do mundo moderno a que podemos intitular de «Homus Informaticus». Essa entidade cedo se apercebeu da sua mais rara habilidade, que se iria tornar na sua mais potente arma contra os mais comuns dos pobres mortais. Estamos a falar, claro está, do elevadíssimo conhecimento de novas siglas informáticas que esse «Homus Informaticus» detém no seu cérebro superior. E com pouca humildade, esta criatura dos novos tempos, espalha a sua sapiência aos quatro ventos, qual vírus informático, para quem o quiser ouvir.

Todos sabemos que desde a Antiguidade o culto do Desconhecido provoca medo, respeito, veneração. O que talvez não fosse do senso comum é que, para além de esses sentimentos, o desconhecimento de algo palpável ou dogmático faz brotar a IRA. Ira por não podermos ter o mesmo conhecimento, a mesma eloquência, a mesma arrogância que fizeram o «Homus Informaticus» ficar tão bem cotado no mercado da sua bolsa.

Esse monstro com a inegável capacidade de decorar inúmeras siglas da Nova Tecnologia está no meio de nós. Pode ser um qualquer de nós. Pode inclusivé ser nosso parente, amigo, chefe. E tenham a real certeza de que, no momento certo e oportuno, esse ser irá ser implacável e mordaz, ao ponto de o fazer desejar não ter perguntado o que queria dizer determinada sigla.

Mas quer você seja um dos «Homus Informaticus» ou uma daquelas personagens que só segue a evolução das Novas Tecnologias a uma certa distância confortável para evitar inegáveis contágios e não pretende saber mais do que o humanamente necessário para não ficar «out», uma coisa é certa: As siglas já fazem parte da sua vida. E ambos sentem IRA. O «Homus Informaticus» porque sente que poderia saber muito mais e os restantes informáticos na óptica do utilizador porque não sabem o suficiente. Mas para que essa IRA se possa dissipar o mais depressa possivel, resolvemos ajudá-lo na rápida aprendizagem de muitas das siglas que já fazem parte integrante da nossa vida, das conversas de Café, das Tertúlias do Bairro Alto. Para que você também possa brilhar, no escuro mundo dos computadores.

Para muitos de nós, uma das primeiras siglas que aprendemos no mundo da Informática foi o significado de P.C. (Personal Computer). Para o «Homus Informaticus» foi, provavelmente, o significado da sigla da linguagem B.A.S.I.C. (Beginners All-Purpose Symbolic Instruction Code).

E, a partir de este momento, os caminhos dos dois bifurcam-se.

Nos dias que correm, quando se aproxima o quebrar da barreira do Processador de um computador a 1 Mhz para os 2 Mhz a passos largos, já podemos esperar tudo. Afinal, não foi há muito tempo atrás que a 1G (First Generation), a primeira geração móvel nos colocou a falar pelos cotovelos. Era o reino dos telemóveis analógicos, através do GSM (Global System for Mobile Communications) que nasceu oficialmente em 1982. A 2G (Second Generation), ou segunda geração móvel não se fez esperar. Os telemóveis tornaram-se mais fiáveis e, principalmente, digitais, operando em redes 900 Mhz (mega Hertz) e 1800 Mhz. Nascia o DCS (Digital Cellular System).

Hoje, tudo isto é um dado adquirido para nós, alegres consumidores de telemóveis.Antes de chegarmos à tão esperada 3G (Third Generation), terceira geração móvel, há uma coexistência pacífica, preparatória, com a geração intermédia, que carinhosamente apelidamos de geração 2.5 .

Enquanto esperamos descansados mas com uma enorme vontade de não deixar passar ao lado a nova vaga tecnológica que o UMTS (Universal Mobile Telecommunications System) irá proporcionar ao sector Multimédia e de Comunicacção, o GSM fez um upgrade a si mesmo. E o resultado não podia ser melhor: os três mosqueteiros da rede móvel. São eles o EDGE (Enhanced Data Rates For GSM Evolution), o HSCSD (High Speed Circuit Switched Data) e o GPRS (General Packet Radio Service). Todos pretendem facilitar-nos as nossas comunicações com o mundo que nos rodeia – quer sejam inter-pessoais ou à mãe de todas as redes, a Internet. São a entrada que nos fará enaltecer, ainda mais, o prato principal.

Já em testes, o UMTS terá duas fases distintas. A primeira fase, que se iniciará previsivelmente em 2002, será a de Basic UMTS (Phase 1). A partir de 2005, poderemos conhecer o Enhanced UMTS (Phase II). Ambos se regerão pelo IMT – 2000 (International Mobile Telecommunications) e nos permitirão realmente unificar todas as telecomunicações globais, com um só sistema. As velocidades de acesso poderão atingir os 2 Mhz, o que nos abrirá as portas para a verdadeira mobilidade no acesso à Multimédia, ao VOD (Video on Demand) em formato MPEG (Moving Pictures Experts Group) e aos «downloads» rapidíssimos no acesso à net.

Mas nem só de redes móveis e suas siglas vive o Homem. As redes fixas não param de nos espantar, de igual modo. Longe vai o tempo em que o MODEM ( acrónimo para MOdulation /DEModulation) a 28 Kbps (kilobits per second) fazia as delícias das nossas ligações perigosas. Após o reconhecimento do trabalho elaborado pelo modem a 56K, chegava a ligação RDIS. A ligação RDIS atinge normalmente os 64K, mas pode ir, em casos específicos, até aos 128K. Mas as conecções através de Cabo Coaxial vieram fazer as maravilhas dos mais exigentes na Internet. Enquanto a Tarifa Fixa não se instala definitivamente, as alternativas para os que não se contentam com pouco não se fizeram esperar. Existem, neste momento, duas ligações hiper rápidas para os mais afoitos: Cabo e ADSL (Asymmetric Digital Subscriber Line) . Ambas têm prós e contras. A ligação por Cabo é a mais barata mas a sua rede é partilhada e só é rentável se existir bi-direccionalidade na sua área de localização. O ADSL poderá ser mais fiável, mais rápido e não é partilhado, mas o seu preço e o facto de só agora começar a estar disponível no Grande Porto e na Grande Lisboa, poderá ser um grande balde de água fria. A escolha é sua, mas a verdade é que o Cabo poderá atingir os 640Kbps e o ADSL poderá ir inicialmente a 1 Mbps, mas facilmente poderá ser configurado até aos 6 Mbps. De facto, ao usar a sua velha linha de cobre do telefone, torna-o num avanço tecnológico de fácil expansão a curto e médio prazo. O DSL (Digital Subscriber Line) tem, igualmente, algumas variantes. O SDSL (Single Digital Subscriber Line), o HDSL (High Data Rate Digital Subscriber Line) e o futuro e promisssor VDSL (Very High Data Rate Digital Subscriber Line). O VDSL poderá ter a belíssima velocidade de 52 Mbps, o que já não impedirá ninguém de ver HDTV (High Definition Television).

E as Novas Tecnologias não ficarão por aqui, decerto. Com o VDSL ou similar em casa e o UMTS ou algo que o IMT 2000 nos dará no nosso PDA (Personal Digital Assistant) enquanto estiver em mobilidade, ficaremos muito mais unidos em termos de comunicação global. A nossa vida ficará mais facilitada, o nosso dia-a-dia será simplificado e o nosso destino nunca mais será o mesmo. Com este novo advento, a Revolução Industrial parecerá um mero borrão nas páginas da História Mundial. Obviamente que existirá sempre a IRA que nos distinguirá dos próximos «Homus Informaticus» e das próximas siglas. O glossário não pára de crescer. E nós temos que nos manter actualizados, sob pena de ficarmos IRAdos com o desconhecimento de causa. Afinal, como se já não bastasse termos que dominar uma língua extra à nossa, a fim de melhor acolhermos o Turismo nosso de cada dia, ainda temos que tornar a voltar à «escola» para aprender uma nova linguagem, a linguagem informática e as suas inúmeras siglas e acrónimos. Se não o fizermos, corremos o perigo de nos transformarmos em info-excluídos da sociedade regente. E esse facto também nos pode provocar IRA. Aprenda, então, o máximo que puder com estas siglas e seja você mesmo o próximo centro das atenções informáticas dos seus mais chegados amigos e colegas de trabalho……


Luis Manuel C. Sobral

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