>A Dualidade nos Jogos Online


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A Dualidade nos Jogos Online

A mãe de todas as redes alberga os maiores e mais mortíferos campos de batalhas que o Homem alguma vez conheceu. Na Internet, em determinados sectores, há quem tenha suores frios e viva cada segundo como se o mesmo fosse o último. E não raras vezes está mais perto de ver a fatídica palavra «Game Over» do que esperava, inicialmente. «Matar ou morrer» é o mote mais conhecido e mais seguido que destapa a fachada de um novo e virtual psicopata assassino, diariamente, nas malhas de inúmeros processadores à volta do globo digital. A sangue frio e com inesperada tenacidade, pegamos numa arma tecnologicamente avançada ou numa simples maça de puro ferro e aniquilamos uma imagem virtual e online que se intitula de nosso arqui-inimigo. E tudo isto pode acontecer antes do turno da tarde, no nosso local de trabalho, entre colegas de ofício, graças às maravilhas da rede interna de computadores e da ligação à Internet.

Os Jogos Online são, para a maioria de nós, uma das mais importantes e benignas válvulas de escape do dia-a-dia, do «stress», dos negócios, do fecho da edição. Permite-nos transportar a nossa mente para outra realidade, nem que seja por poucos minutos. Podemos ser quem quisermos: os nossos heróis de infância ou os nossos piores temores num quarto sem luz. Podemos cortar em pedaços minúsculos e sanguinolentos o parceiro de escritório que não nos emprestou 1000$00 para o almoço ou podemos descarregar o carregador de uma arma automática no corpo já inerte do nosso inimigo virtual que, por acaso, tem o nome do nosso superior. A liberdade é total. Nem sequer o céu é o limite. As únicas barreiras são a imaginação. E de um modo geral, a nossa violência virtual e online é opostamente proporcional ao nosso temperamento na vida real. Não será raro vermos o nosso amigo «geek» com óculos de fundo de garrafão deter os maiores «high scores» em combates corpo a corpo e o maior machão do bairro com uma tatuagem de «amor de mãe» no braço esquerdo chorar quando a sua personagem Lara Croft perde a vida.

De facto, nos jogos online podemos ser quem queremos e quem normalmente não podemos ser, na vida real. E porque é que se joga? Porque alivia a tensão, queima o tempo e faz-nos ficar mais competitivos.

Mas há que separar o trigo do joio. Nem todos os jogos nascem iguais. Uns nascem mais iguais do que os outros e são dirigidos para públicos diferenciados. Para melhor compreensão, decidimos dividi-los em dois: Jogos Online e Mini-Jogos Online. Qual a diferença? É o que tencionamos explicar, nas linhas seguintes.

Antes de mais, convém salientar que ambos os dois tipos de jogos podem ser jogados em «single player» e em «multiplayer». Ou seja, pode jogar sozinho contra o computador ou entre amigos com interesses comuns. Mas há jogos que só fazem sentido quando em grupo e outros em que dois já é uma multidão. Confusos? É fácil de entender o raciocínio. Lembram-se de «Wolfstein» e de «Doom»? Não? Então, pertencem à geração «Quake», que viu nascer uma das melhores sequelas de jogo para PC que alguma vez se idealizou. É um jogo de violenta acção e estratégia que tornou os seus construtores em milionários e fez nascer um novo marco na maneira como as pessoas reagiam à violência num ecrã. Do PC solitário, rapidamente cresceu, qual vírus, para a sua mais famosa opção de multijogador em rede. É, de facto, e sem lugar a qualquer dúvida, em rede e/ou Online que a sua fama se alargou aos quatro cantos da rede mundial. «Quake», «Quake 2» ou mesmo «Quake 3» são exemplos marcantes do seu culto e da satisfação de matar, sem escrúpulos e com enorme prazer, o parceiro mais próximo, em qualquer língua, em qualquer credo, sob qualquer religião. Digam o que disserem os críticos ou os mais puritanos, «Quake» foi o primeiro e mais influente profeta do fenómeno multijogador.

No seu extremo oposto, temos o simples e egocêntrico jogador, sozinho, em frente ao seu ecrã. Sem parceiros, sem necessidade de alianças estratégicas, temos o comum e usual jogador dos mini-jogos Online. Um dos jogos que mais adeptos ganha dia após dia e com o qual não faz muito sentido jogar com ou contra outro par é o famoso jogo de dominó chinês de nome «Shanghai» ou «Mahjongg». Mas como poderiamos também esquecer o jogo preferido de todas as secretárias e responsáveis por inúmeras recepções de todo o mundo empresarial, na forma do «Windows Solitaire» ?

Mas o mundo dos Jogos na Internet já não é simplesmente preto ou branco, nas suas escolhas. Já existem variadíssimas tonalidades de cinzento, nas opções. Como nem só de carnificina virtual vive o Homem nos seus tempos livres, um dos jogos mais conhecidos da Internet e com mais adeptos por metro quadrado deverá ser o «Everquest». A saga «Everquest» dirige-se especialmente para as largas comunidades de jogadores de R.P.G. (Role Playing Game) – estamos a falar de mais de 300 mil jogadores no mundo – que gostam de escolher um personagem e percorrer dezenas e dezenas de milhas virtuais, por paisagens paradisíacas, através de paises imaginários com culturas várias. É o apogeu do M.M.O.R.P.G. (Massively Multiplayer Online Role Playing Game».

Nos Estados Unidos, jogos como o Everquest, cujos sequelas «Ruins Of Kunark», «Scars Of Velious» e «Shadows Of Luclin» trouxeram novos adeptos. E mexem com muitos milhares de jogadores online e em simultâneo. É o verdadeiro culto do multijogador. A Europa está, agora, a dar os primeiros passos na massificação de uma política de educação de novos jogadores online. E Portugal, em específico? No nosso canto à beira-mar plantado, a estória é outra. Penso que poderemos dizer com alguma propriedade que,e em média, se jogará mais Mini-Jogos Online do que os ditos grandes jogos Online.

Os grandes portais nacionais, a fim de não perderem este filão, cedo trataram de incluir nos seus potentes servidores e na sua negociada largura de banda alguns dos mais conhecidos Jogos Online de grande porte. Hoje podemos jogar com alguma facilidade jogos como «Quake 3», «Unreal Tournament», «Half-Life», «Quake 2» e «Quake World». Mas acontece que nem tudo são rosas. Quase sempre esses mesmos servidores estão ou sem visitas ou com pouca afluência, em média de horas diárias. Porquê? Simples. Porque o conceito de jogar em multijogador e em Português implica que se encontre com alguma facilidade um parceiro igualmente fluente na língua de Camões do outro lado da linha do mesmo servidor. O que não é fácil. O que é realmente fácil é encontrar inúmeros potenciais «inimigos» do outro lado da rede, num qualquer outro servidor em língua inglesa e na página-mãe do jogo em causa. É um círculo vicioso. Os verdadeiros jogadores preferem participar em «deathmatchs» na Internet internacional do que na nacional, devido à falta manifesta de «quorum» no território luso. Então aonde é que se joga em multijogador, em Portugal? Na sua maioria, em rede, entre amigos que já se conhece, num fim-de-semana ou durante o dia laboral, nos intervalos para o descanso do guerreiro urbano, maioritariamente masculino.

Já os Mini-Jogos Online, como as cartas, o bingo ou mesmo as «slot machines», só para citar alguns exemplos, podem ser jogados por todos, independemente do sexo. Mas são os jovens que, curiosamente, mais os jogam. Quer nas bibliotecas com acesso à Internet, quer nas Universidades, o Mini-Jogo Online é um «snack» apetecível. É uma bolacha dietética, sem corantes nem conservantes que não exige um prévio estudo nem um grupo de amigos fanáticos. É como se fosse um jogo com abertura fácil. Basta haver um tempo livre, uma hora para desperdiçar, alguns minutos para relaxar que é a altura ideal para ir visitar aquele site que tem no seu interior alguns jogos despretenciosos e sem exigências de maior. E que podem ser jogados com um só jogador, se preciso for. Sem escárnio e mal-dizer, quando se falha os objectivos.

Se passarmos a tratar os jogos como drogas, pela sua fácil adictividade, podemos dizer que os jogos multijogador no Top 5 são as intituladas drogas «fortes» e os milhares de Mini-Jogos as «leves» que deveriam ser banalizadas no seu consumo diário. Quer você goste de Mini-Jogos em Flash, Java ou mesmo Spectrum, tudo pode ser encontrado e jogado online, sem qualquer custo. «No strings attached». Igualmente, começa também a crescer em Portugal o gosto pelo Futebol jogado online em formato multijogador. Mas, normalmente, entre amigos que criam comunidades, tribos onde os gostos são comuns.

No fim, a escolha é e sempre será sua. O essencial é a diversão, o escape, o aliviar da pressão. Quer se trate de «Quake» ou de «Shanghai», o que importa é que se esqueça da realidade, por uns momentos. Quer se trate de «Unreal Tournament» ou de «Chuckie Egg» em versão emulada do antigo «Spectrum», o que faz toda a diferença é o estado de espírito durante o jogo. Posso convidá-lo para um Jogo?

Luis Manuel C. Sobral

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